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Medicina em Foco: As Notas do SiSU no Brasil e a Mudança Curricular nos Estados Unidos

O cenário das aprovações nas universidades brasileiras A disputa por uma vaga no curso de Medicina continua sendo uma das mais acirradas do país. Dados recentes do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) mostram que, para quem busca as menores notas de corte, o caminho aponta principalmente para as instituições públicas do Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Estados como Piauí e Goiás concentram boa parte dessas oportunidades, mas o grande destaque das seleções recentes fica no Rio Grande do Norte.

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) registrou a menor pontuação exigida nacionalmente, fechando em 775,39 pontos. Logo na sequência, a lista das menores notas revela um mapa bem diversificado para os futuros médicos. A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) exige 780,21 para o ingresso. Já na Bahia, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) tem a nota fixada em 784,06.

Avançando por outras regiões, Roraima aparece com a UFRR marcando 787,37 pontos. Em Minas Gerais, a Unimontes pede 786,10. O Piauí marca uma presença forte e dupla no ranking com a UFPI, no campus de Picos, registrando 786,39, e a UFDPAR com 788,88. Fechando esse quadro das oportunidades mais acessíveis, temos a Unipampa no Rio Grande do Sul (789,34) e duas instituições goianas: a Universidade Federal de Jataí (789,61) e a Universidade Federal de Catalão (789,83).

Uma guinada na educação médica americana Enquanto no Brasil a atenção dos estudantes está totalmente voltada para atingir o rigoroso desempenho exigido nas provas, nos Estados Unidos a própria estrutura do ensino da medicina acaba de passar por uma reviravolta gigantesca. E quase ninguém ficou sabendo. No dia 19 de março, as escolas médicas americanas finalmente se viram livres de uma política ideológica bastante controversa. O Comitê de Ligação em Educação Médica (LCME), órgão que supervisiona as faculdades, simplesmente abandonou sua exigência relacionada às práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).

Na prática, o LCME é quem dá as cartas e define o que deve ser ensinado nos campi de todo o país. Durante anos, a organização forçou as faculdades a dançarem conforme a música das pautas sociais. A exigência era que os alunos fossem ensinados a reconhecer e tratar os chamados “vieses” pessoais e profissionais, além de focar nas “iniquidades em saúde”. Mesmo que a sigla DEI não estivesse estampada nos documentos oficiais, a intenção por trás das regras era nítida e exigia, na visão de diversos críticos, que as faculdades transformassem futuros médicos em ativistas políticos focados em redistribuição de renda e políticas de bem-estar social.

O impacto prático na formação dos médicos Toda essa imposição cobrou um preço muito alto da sociedade americana. Cada minuto que os alunos passavam discutindo racismo sistêmico e problemas sociais — questões que médicos não têm como resolver sozinhos — era um tempo tirado do aprendizado real. Faltavam horas para o aprofundamento da ciência médica e das habilidades clínicas essenciais.

O resultado da politização já aparece nos dados concretos das avaliações. Desde 2020, o índice de aprovação dos estudantes de medicina na primeira etapa do exame de licenciamento americano sofreu quedas consecutivas todos os anos, com apenas uma única exceção. O declínio na competência clínica geral já vem sendo notado há pelo menos uma década. Sem essas amarras ideológicas ditando o currículo, a expectativa agora é que as escolas possam voltar a fazer aquilo que realmente deveriam: treinar os melhores médicos para oferecer o melhor atendimento possível à população.