Panorama Educacional: Dos desafios da alfabetização nos EUA às exigências da redação no Brasil
Com o ano de 2026 já em curso, o cenário educacional global volta suas atenções para os resultados das avaliações e as metodologias de ensino. Nos Estados Unidos, as escolas de Indiana preparam-se para uma nova rodada de testes estaduais na primavera, ainda sob o impacto dos dados recém-processados de 2025. O foco recai sobre o destino dos alunos da terceira série que não atingiram a nota de corte no IREAD-3, o exame de leitura do estado. A equipe da Operation Education analisou os números para entender quantos estudantes foram retidos e quantos avançaram para o quarto ano.
O IREAD-3 funciona como um termômetro fundamental para medir se as crianças dominam as habilidades básicas de leitura. O ano de 2025 marcou o início da vigência de uma lei estadual que obriga a retenção de alunos que não passam no teste. Havia um temor inicial de que mais de 10 mil crianças precisassem repetir o ano. No entanto, os dados do Departamento de Educação de Indiana (IDOE) revelam um cenário diferente. Dos 10.663 alunos que não passaram no exame em 2025, apenas 3.040 foram efetivamente retidos. Isso ocorre devido às “Isenções por Justa Causa” permitidas pela legislação, cujos beneficiários só foram confirmados após a contagem oficial de alunos no outono. Agora, as instituições de ensino voltam-se para o suporte pedagógico a esses estudantes retidos.
A estrutura dissertativa no cenário brasileiro
Enquanto o sistema americano debate a retenção baseada na alfabetização básica, no Brasil, a discussão pedagógica para estudantes em níveis mais avançados foca na capacidade de argumentação e síntese, cruciais para o Enem e vestibulares como Fuvest e UERJ. O domínio da estrutura da redação, especificamente a conclusão, permanece como um diferencial competitivo. Finalizar um texto dissertativo exige mais do que apenas encerrar o assunto; requer técnica para reforçar o ponto de vista sem cair em repetições exaustivas.
Especialistas apontam que uma conclusão eficaz deve levar o leitor à reflexão. Para atingir esse objetivo, o estudante precisa retomar o tema central e o posicionamento adotado de forma clara e objetiva, utilizando palavras-chave, mas sem apresentar novas informações ou argumentos que não foram debatidos anteriormente. O parágrafo final não é o espaço para inovações temáticas, mas sim para o fechamento de ideias. O tamanho também é um fator de atenção: recomenda-se o uso de 8 a 10 linhas para evitar desproporção em relação ao desenvolvimento.
Estratégias para o encerramento do texto
Para garantir uma finalização coesa, é fundamental relembrar, de maneira sucinta, os tópicos trabalhados ao longo do texto. O objetivo é “amarrar” as pontas soltas. O uso de uma frase de efeito pode ser um recurso valioso para enfatizar o ponto de vista e capturar a atenção da banca examinadora. No entanto, o desafio aumenta quando se trata da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Diferente de outros vestibulares, o Enem exige a elaboração de uma proposta de intervenção detalhada, que deve respeitar os direitos humanos e apresentar uma solução viável para o problema discutido.
A matriz de referência do Enem estabelece cinco elementos obrigatórios para a proposta de intervenção, sendo que cada um vale 40 pontos na avaliação final. O candidato deve explicitar o Agente (quem executará a ação, como órgãos públicos ou ONGs), a Ação propriamente dita (o que deve ser feito), o Modo/Meio (como a ação será viabilizada), o Efeito (a finalidade ou resultado esperado) e o Detalhamento (informação complementar ou exemplo de um dos elementos anteriores).
Análise prática: a ditadura da felicidade
Para ilustrar a aplicação desses conceitos, observa-se o tratamento de temas complexos como “A tristeza em tempos de felicidade compulsória”. Em uma redação modelo, o desenvolvimento pode citar a obra “Sociedade do Cansaço”, de Byung-Chul Han, para discutir a transição para uma sociedade de desempenho onde a positividade se torna tóxica. O texto argumenta que a pressão do mercado e das redes sociais cria uma “ditadura da felicidade”, onde a tristeza é vista como falha produtiva, gerando transtornos psíquicos.
Nesse contexto, uma conclusão bem estruturada retomaria a tese de que a supressão da tristeza atende a uma lógica de mercado nociva. A intervenção proposta precisaria endereçar como desconstruir essa falácia da positividade constante, acionando, por exemplo, o Ministério da Saúde ou a mídia para campanhas de conscientização sobre saúde mental real, detalhando os meios de divulgação e o impacto esperado na redução da ansiedade coletiva. Assim, seja na análise de dados escolares em Indiana ou na estruturação de argumentos no Brasil, a clareza e a adesão às normas de avaliação continuam sendo os pilares do sucesso educacional.


