Por que as pessoas trapaceiam?

Um estudo aponta que as pessoas serem trapaceiras não tem ligação com dinheiro.

Seja em um simples jogo ou na vida real, algumas (talvez muitas) pessoas possuem um hábito considerado errado: trapaceiam. O intuito é obter algum tipo de vantagem sobre as demais pessoas ou situações, e isso, muitas vezes, é atribuído a necessidade financeira.

Um estudo feito por Marco A. Palma, professor de Economia Agrícola e diretor do Laboratório de Comportamento Humano da Universidade A&M do Texas, tentou explicar o motivo de algumas pessoas trapacearem. Muitos acreditam que a trapaça está ligada à falta de dinheiro, porém, descobriu-se que a relação entre as duas coisas é mínima, visto que pessoas ricas também cometem tal ato.

Chance de morrer no aniversário é maior do que nos outros dias do ano

A pesquisa, publicada no Journal of Economic Behavior & Organization, foi realizada em um vilarejo isolado, localizado na base do vulcão Fuego, na Guatemala. O local foi escolhido por um motivo: todos os anos, durante os sete meses que antecedem a colheita de café, os moradores passam por tempos de escassez, e nos cinco meses após a colheita, de abundância.

Por não existirem bancos e acesso a crédito na região, os fazendeiros não conseguem acumular riquezas por muito tempo, e por isso, toda a população tem condições financeiras semelhantes. Devido às condições e hábitos das pessoas, os pesquisadores sabiam que os fatores atenuantes seriam estáveis.

Para fazer o estudo, o pesquisador e sua equipe visitaram o local duas vezes, uma delas antes da colheita, quando a época de escassez era mais evidente, e posteriormente quando os recursos financeiros voltaram com a colheita do café.

Durante as visitas, os pesquisadores jogaram um jogo com 109 pessoas, que consistia em rolar um dado em um copo e, sem mais ninguém saber, dizer qual o número havia caído na jogada. Para cada “ponto” marcado com o dado, era pago ao jogador a quantia de 1 dólar. A única exceção é quando o dado parava no número 6, quando não era pago nada.

Foto: Reprodução Internettrapaça

Estatisticamente, os valores mais altos a serem pagos deveriam aparecer em 50% das vezes, porém, esse número foi de 85%. O número 6, cujo resultado era nenhum pagamento, apareceu poucas vezes no jogo. A situação aconteceu em ambas as viagens.

A experiência foi repetida, mas, dessa vez, os valores a serem pagos iriam para outra pessoa do vilarejo e não para o jogador. Nesse caso, os números maiores apareceram um pouco menos: 73% durante a colheita e 75% na época de escassez.

Uma terceira “rodada” foi realizada, onde o dinheiro ganho seria destinado para um desconhecido, de fora da comunidade local. Desta vez, os números foram equilibrados durante a época de abundância e compatibilizaram com as estatísticas mais prováveis, ou seja, 50% de vezes para os números maiores e 50% para os menores. Já na época de escassez, os maiores valores apareceram em 70% das jogadas.

Com o estudo, pode-se concluir que a trapaça não está ligada a uma condição financeira, mas sim ao caráter e questões éticas, podendo também estar relacionada com um predisposição genética. Ou seja: quem trapaceia na pobreza, também irá trapacear na riqueza.

Apesar do estudo não ser considerado uma verdade absoluta, outro grupo de pesquisadores – cujo estudo não foi publicado – realizou uma experiência com fazendeiros de arroz na Tailândia e os resultados obtidos são semelhantes aos do vilarejo na Guatemala.

Veja também: Pessoas sarcásticas possuem uma mente três vezes mais inteligente

Se encontrar algum erro ou tiver alguma sugestão de curiosidade, entre em contato através da nossa fanpage no Facebook

Compartilhe este artigo:

Veja mais