O que existia no acervo do Museu Nacional?

Primeira instituição científica do país, lá existiam coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia biológica, arqueologia e etnologia.

No dia 2 de setembro de 2018, um incêndio atingiu um dos patrimônios mais importantes para a história do Brasil: o Museu Nacional. Localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ), o Palácio de São Cristóvão foi residência da Família Real e nele estavam abrigados mais de 20 milhões de itens de um acervo histórico único, que se formou ao longo de mais de dois séculos.

O museu foi criado no ano de 1818, por D. João VI. Foi nesse palácio que, em 1822, a princesa Leopoldina assinou a declaração de independência. A primeira Assembleia Constituinte da República também foi realizada no local.

Com coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia biológica, arqueologia e etnologia, o Museu Nacional foi a primeira instituição científica criada no Brasil. O local é administrado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e usado muito usado por pesquisadores e cientistas, que utilizam peças do acervo para realizar estudos e conhecer melhor nossa história.

Veja abaixo alguns dos itens que faziam parte do acervo do museu:

Fóssil Luzia

Foto: Museu Nacional/DivulgaçãoLuzia

Para muitos pesquisadores, Luzia, como foi batizado o fóssil, era o item mais importante do museu. Com cerca de 12 mil anos, esse fóssil é um dos mais antigos já encontrado nas Américas e o mais antigo localizado no Brasil. Ele foi encontrado em Lagoa Santa (MG) no ano de 1975.

Além do crânio de Luzia, no museu estava também uma reconstrução da face dela, feita no ano de 1999. A descoberta da existência desse fóssil e seu estudo é de extrema importância para entender como ocorreu a ocupação do continente americano.

Segundo apontam estudos, Luzia tinha cerca de 20 anos quando morreu, possuía traços de pessoas negras, com nariz largo e olhos arredondados.

Meteorito de Bendegó

Felizmente, esse é um dos poucos itens do acervo que não foi destruído pelo incêndio. Pesando 5,36 toneladas, ele é o maior meteorito encontrado no Brasil até hoje e também está na lista dos maiores do planeta.

De origem incerta, ele é formado de ferro maciço. Esse meteorito foi localizado no sertão da Bahia no ano de 1784 e, em 1892, foi levado para ser exposto no Museu Nacional. Estudos apontam que o Bendegó caiu na Terra entre cinco e dez mil anos atrás.

Foto: Museu Nacional/Divulgaçãometeorito

Trono de Daomé

Essa peça chegou ao museu em 1818, após D. João VI ganhá-la de presente em 1811. A peça foi doada por embaixadores do Rei Adandozan. A estimativa é que esse trono tenha sido construído entre os séculos XVIII e XIX, na África.

Foto: Reprodução InternetTrono de Daomé

Dinossauros

Foto: Rafael de Moura/Rede Globodinossauro

O local possuía uma coleção de paleontologia, sendo o grande destaque dela o esqueleto do primeiro dinossauro de grande porte a ser montado no Brasil, o Maxakalisaurus topai. Ele era o maior “objetos” do acervo do museu.

A ossada desse animal foi encontrada em Minas Gerais, na região do município de Prata, em 1998. Ele foi apelidado de “Dinoprata”.

Outro item de destaque que estava no museu era o pescoço completo de um titanossauro uberabense, que ainda não havia sido batizado. Um esqueleto de Pteurossauro que viveu no Nordeste brasileiro também estava exposto no local.

Uma preguiça gigante também fazia parte do acervo.

Múmias

Um dos principais atrativos do museu eram as múmias, não somente as egípcias, mas também as brasileiras.

O Museu Nacional possuía algo poucos museus do mundo têm: uma múmia egípcia intacta. Ela foi adquirida por Dom Pedro II, juntamente com uma coleção de sarcófagos e restos mortais mumificados. Entre eles, um gato e uma cantora religiosa que atuava no templo do deus Amon. Uma das múmias nunca foi aberta e retirada do sarcófago em que estava, a pedido de D. Pedro II. Ele gostava tanto dessa múmia, que ela ficava em sua sala e, segundo historiadores, ele até "se aconselhava" com ela.

Entre as múmias brasileiras, um grupo indígena foi encontrado na Caverna da Babilônia, em Minas Gerais. Esse grupo incluía uma mulher e dois bebês, um de um ano e o outro de apenas um mês.

Múmias do povo Jívaro, da Amazônia Equatoriana e também do deserto do Atacama também estavam expostas no museu.

Foto: Dr. CuriosoMúmia

Baleia Jubarte

Um esqueleto completo de uma baleia jubarte fazia parte do acervo do Museu Nacional. Com 17 metros, o esqueleto foi encontrado na cidade de Paraty (RJ). Por causa da falta de verbas para manutenção da sala onde ele ficava, o local estava fechado para visitação há 10 anos.

Foto: Divulgaçãobaleia jubarte

Artefatos de civilizações ameríndias

Muitos objetos da cultura indígena estavam no local, muitos deles, itens raros. Brincos, tangas, objetos de rituais, cestos, colares, máscaras, potes, entre diversos outros objetos estavam expostos no local, a maioria disponíveis para visitação do público.. Estima-se que cerca de 1.800 artefatos de diversas civilizações indígenas tenham sido perdidos com o incêndio que atingiu o Museu Nacional.

Foto: Museu Nacional/Divulgaçãoetnologia

Além dessas exposições citadas, o museu ainda abrigava objetos usados pela Família Real que morou no Palácio, a coleção de arte e artefatos Greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina, além de itens da arqueologia clássica, itens de biologia, coleção de conchas, entre muitos outros.

Veja abaixo mais algumas fotos do museu:

Foto: Dr. CuriosoSarcófago
Foto: Reprodução Internetentomologia
Foto: Dr. Curiosomuseu nacional
Foto: EBCmuseu nacional
Foto: Dr. Curiosomuseu nacional

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FONTE: Dr. Curioso

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