Entrevista: Motorista fala sobre atentados de 11 de setembro

Conheça a tragédia, contada por um morador dos EUA na época dos atentados.

No mês de setembro, não há como não falarmos sobre os atentados terroristas comandados pela Al-Qaeda, que aconteceram nos EUA e deixaram quase 3 mil norte-americanos mortos. No dia 11 de setembro, falamos sobre como eram as Torres Gêmeas antes de serem destruídas.

O Dr. Curioso conversou com o motorista de carretas de 50 anos, Douglas Lourenço Gomes. Na época dos atentados, ele morava e trabalhava nos EUA e pôde presenciar o dia dos atentados.

Foto: Arquivo pessoalDouglas
 

Douglas conta que na época, ele estava trabalhando com construção de casas, e havia saído para trabalhar por volta das 5h da manhã.

“Eu lembro que estava sentado do lado da van, justamente do lado onde o sol nasce, e tive o prazer de ainda ver as torres em pé. Eu fui trabalhar aquele dia em uma cidade chamada Green Valley, que fica há umas 2h de distância do centro de Nova Iorque, e por volta de umas 8h40, um amigo que estava trabalhando no centro de Manhattan ligou pra mim falando que uma torre estava pegando fogo.”

Inicialmente, acreditava-se que o ocorrido era um incêndio em uma das torres, e o amigo avisou-o para voltar mais cedo do trabalho, por causa do trânsito, que seria mais intenso que o normal. Ele conta que uns 25 minutos depois, o amigo liga novamente e conta que um avião bateu na segunda torre. Nesse momento, as autoridades e a aeronáutica americana já haviam recebido a informação do sequestro dos dois aviões e já havia o entendimento de ter sido um ataque terrorista.

“Quando eu voltei, as torres já haviam caído. Dava pra ver duas montanhas enormes de entulho, saindo aquela fumaça bem preta, bem longas, com muitos quilômetros. Também tinham vários caças voando na região. No rádio, começou a passar só o canal do governo, e avisaram que não poderia levantar nenhum voo, senão seria derrubado. Não podia avião, nem asa delta, nada. O clima ficou bem pesado, alguns amigos que estavam trabalhando em Long Island ficaram presos por semanas sem poder voltar pra casa, pois não era permitida a passagem de carros.”

Douglas conta que na região, durante semanas, o cheiro de fumaça e de carne estragada – dos mortos – podia ser sentido, e até mesmo em New Jersey, pois o vento levava o cheiro para vários locais. Segundo ele, demorou pelo menos dois meses para retirar todo o escombro dos prédios e, por ser muitas pessoas entre os mortos, o resgate dos corpos também levou vários dias.

O motorista descreve que o dia do atentado e os dias seguintes foram dias de tristeza e insegurança. Douglas conhecia uma pessoa que trabalhava na limpeza do prédio, que veio a falecer na tragédia. Por causa do acontecimento nas Torres Gêmeas, a população dos Estados Unidos se tornou bastante receosa, e o clima de medo tomou conta do país por um longo período de tempo. Cada morador da região foi impactado de uma forma diferente. Alguns perderam familiares e amigos, outros puderam ver a cena ao vivo e de perto. Para Douglas, o fato mais marcante é não ver mais a presença das torres.

“Toda vez que eu olhava para Manhattan e não via os prédios no lugar, eu ficava triste. Quando eu saí de lá e vim para o Brasil, ainda não haviam começado a construir a nova torre. A falta dos prédios no lugar, você tem o costume de ver os prédios todos os dias e de repente eles desaparecerem, é bastante triste.”

Douglas diz nunca ter visitado os andares acima do térreo dos edifícios, mas conta que frequentava a área do subsolo do World Trade Center, que era uma espécie de shopping, além de ter a estação de trem, umas das principais de Nova Iorque.

Foto: Arquivo pessoalDouglas
Douglas com as antigas torres gêmas ao fundo.

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FONTE: Dr. Curioso

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