É possível recuperar a Amazônia do desmatamento e das queimadas?

Estudo aponta que a restauração da floresta ainda é possível, mas medidas precisam ser tomadas urgentemente.

A Floresta Amazônica tem sido uma vítima do desmatamento e das queimadas ao longo dos últimos anos. A preocupação com essa área de mata é de nível mundial, visto que a região é de extrema importância para o planeta, não somente pela biodiversidade, mas pelo papel que as árvores desempenham em relação ao ar.

Apesar dos números serem alarmantes, a boa notícia é que nem tudo está perdido (pelo menos, ainda!). Com algumas medidas, é possível recuperar a floresta, apesar de ser um processo lento e que demanda, principalmente, a iniciativa das autoridades dos países que abrangem a mata.

Um dos fatores que mais contribui para as queimadas é o desmatamento. Com a temperatura do planeta cada vez mais elevada, a umidade acaba sendo retirada da floresta, pois com o corte de árvores, ela se torna menos densa. A falta de fiscalização facilita para que árvores sejam extraídas de forma ilegal, seja para a comercialização de madeira ou criação de área para agricultura e pecuária.

Foto: Bruno Kelly/ReutersA Floresta Amazônica tem sido vítima de desmatamentos e queimadas.
A Floresta Amazônica tem sido vítima de desmatamentos e queimadas.

Segundo um estudo, realizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos e pelo Instituto Internacional de Sustentabilidade, é possível que parte da Amazônia seja recuperada até 2030. A pesquisa recebeu apoio do programa BIOTA-FAPESP. Participaram dela um grupo de 45 pesquisadores, de diversas instituições do Brasil.

O primeiro passo para que a recuperação aconteça, é que não haja retrocesso nas políticas ambientais. De acordo com a pesquisa, é possível que a preservação das florestas e o crescimento da agropecuária ocorram juntos, de forma que um colabore com o outro. Ao longo dos anos, o Brasil tem sido líder em negociações ambientais internacionais, e esse papel precisa ser mantido, garantindo que outros países comprem os produtos agrícolas brasileiros, mas que sejam produzidos de forma positiva para o meio ambiente.

Por causa da diversidade da flora brasileira, o país ainda tem a possibilidade de desenvolver um programa de recuperação da vegetação de grande destaque mundial. Segundo o professor da Unicamp e membro do BIOTA-FAPESP, Carlos Joy, essa variedade de espécies de plantas torna a restauração da área extremamente funcional.

“Além das vantagens comuns, como a melhoria da estabilidade do solo e o aumento na retenção de água – e, consequentemente, maior recarga de aquíferos –, um programa de restauração com alta diversidade de espécies permite incluir plantas que podem ser fontes de alimentos ou que são importantes para manutenção de polinizadores, como abelhas.”

O estudo ainda aponta que, se o programa de recuperação for bem elaborado e executado, a conservação da biodiversidade pode chegar a mais de 200%.

Foto: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁSe algumas medidas forem tomadas, a recuperação da Amazônia é possível.
Se algumas medidas forem tomadas, a recuperação da Amazônia é possível.

O combate aos grileiros e latifundiários ilegais é outro ponto chave para a preservação da Amazônia. Eles são os maiores responsáveis pelas queimadas, que muitas vezes são planejadas por um grupo de pessoas e não somente por um proprietário. Consequentemente, o fogo não se limita a área que será utilizada para pastagem, mas também se expande para o restante da floresta, causando danos ambientais imensuráveis.

Uma das formas de combate a essas atividades ilegais, além da intensificação da fiscalização e aplicação de multas, é o planejamento sustentável sobre as áreas que devem ser destinadas a preservação, a agricultura e a pecuária. O estudo apontou que é possível que as três atividades cresçam juntas, se planejadas corretamente. Hoje, parte das terras desmatadas é mal utilizada, resultando em um prejuízo ambiental desnecessário.

Descubra: Quantas árvores precisam ser plantadas para salvar o planeta?

Se encontrar algum erro ou tiver alguma sugestão de curiosidade, entre em contato através da nossa fanpage no Facebook

FONTE: Dr. Curioso

Compartilhe este artigo:

Veja mais