Conheça Aracy Guimarães Rosa, brasileira que salvou diversos judeus

Durante o Holocausto, ela ajudou diversos judeus a entrarem no Brasil, mesmo com as restrições impostas pelo governo de Getúlio Vargas.

Ao longo da história, muitas pessoas se tornaram famosas por realizarem algo especial. Uma dessas pessoas é Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, que ficou conhecida como “Anjo de Hamburgo”. Ela foi uma das pessoas que lutou para salvar judeus da morte durante a Segunda Guerra Mundial.

Filha de uma mulher alemã, Aracy nasceu no Paraná, em 1908. Em 1934, quando o nazismo já havia se espalhado pela Alemanha, ela se mudou para o país, juntamente com sua filha de cinco anos. Na época, ela saiu do Brasil para fugir do preconceito após seu divórcio e foi morar com uma tia. Então, ela se estabeleceu na cidade de Hamburgo, onde trabalhou no consultado brasileiro, chefiando a Seção de Passaportes.

Além do português, ela era fluente em alemão, inglês e francês, o que facilitou sua adaptação no novo país. Porém, a brasileira queria mudar não somente a sua vida, mas a vida de outras pessoas.

Em 1933, quando a Alemanha já estava sob poder de Hitler, cerca de 17 mil judeus já haviam deixado o país, número que ainda aumentaria. Em 1937, a Circular Secreta 1127 passou a entrar em vigor no Brasil, restringindo a entrada de judeus em solo brasileiro, que tinha como presidente Getúlio Vargas.

Foto: Luciana Whitaker/FolhapressAracy Guimarães Rosa viveu até os 102 anos.
Aracy Guimarães Rosa viveu até os 102 anos.

Por causa de seu cargo no consulado, Aracy decidiu que ajudaria a refugiar no Brasil outros judeus, mesmo sabendo da restrição. Ela continuou emitindo vistos autorizando a entrada deles no país.

Até hoje, não se sabe como ela conseguiu tal façanha e nem o número de judeus que entraram em território brasileiro graças ao fato de ela ter “burlado” o sistema. Sabe-se que, para conseguir a assinatura de seus superiores nos papeis, ela deixava de escrever a letra “J”, usada para identificar quem era judeu.

Nessa época, o escritor João Guimarães Rosa, que era cônsul-adjunto, foi transferido para Hamburgo, onde descobriu o que a paranaense fazia. Porém, ao invés de denunciá-la, há indícios de que ele a auxiliou no “trabalho secreto” da mulher que, posteriormente, se tornaria sua esposa.

Depois de começarem o relacionamento, eles ficaram na Alemanha até o ano de 1942 e depois retornaram para o Brasil, quando os dois países romperam relações.

Na época, o divórcio não era reconhecido no Brasil, então em 1947, Aracy e Guimarães Rosa se casaram na embaixada do México no Rio de Janeiro. Eles ficaram juntos até 1967, quando o escritor faleceu.

Já no fim da vida, ela foi questionada sobre os motivos que a levaram a emitir os vistos, mesmo com a proibição. A resposta de Aracy para tal ato é “porque era justo”.

Conhecida como “Anjo de Hamburgo”, ela faleceu em 2011, aos 102 anos. Ela foi enterrada no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, ao lado do marido.

Reconhecimento

Apesar de ter tido um ato heroico, a atitude de Aracy em ajudar os judeus só se tornou conhecida em 1980, quando uma alemã judia polonesa que se refugiou no Brasil decidiu divulgar sua história. Em 1982, os feitos da brasileira foram reconhecidos oficialmente e ela recebeu do Governo de Israel o título de “Justa entre as Nações”. A homenagem é feita para não judeus que arriscaram sua vida para salvar pessoas durante o Holocausto.

Além disso, em 2014, um documentário retratando sua história foi lançado, intitulado “Esse viver ninguém me tira”. Em dezembro de 2019, a imagem de Aracy passou a ser estampada em 54 mil selos do Correios.

Veja também: Quem foi o homem que salvou 1.200 judeus durante o Holocausto?

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FONTE: Dr. Curioso

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